O promotor de justiça, Andresson Charles Silva Chaves,
encaminhou ao Poder Judiciário uma manifestação onde é favorável a prisão dos
dois guardas municipais suspeitos de praticar o crime de homicídio contra José
Cassimiro da Silva.
A vítima foi vista pela última vez após uma suposta abordagem
de guardas municipais, no distrito de Luziápolis, na cidade de Campo Alegre.
Renildo Cassimiro foi visto sendo colocado no carro da Guarda Municipal da
cidade, na tarde do último dia 4, após filmar o comportamento de Carlos Eduardo
Avelino da Silva e Marcelo Misael dos Santos, que estavam numa ocorrência de
trânsito.
Em seu parecer, o promotor afirmou que a dupla de guardas
municipais é suspeita de ter cometido os delitos de homicídio doloso e
ocultação de cadáver, ambos previsto nos artigos 121 e 211 do Código Penal
Brasileiro.
Segundo o
promotor de justiça, “no dia 4 de outubro do presente ano, por volta das 16h30,
a vítima simplesmente filmava uma ocorrência relativa a um acidente de trânsito
na localidade de Luziápolis, zona rural de Campo Alegre, quando os
representados, sentindo-se incomodados com o fato e agindo mediante violência,
conforme demonstram as imagens amplamente divulgadas em todos meios de
comunicação, colocaram o agredido dentro da viatura da Guarda Municipal e, com
ele, deslocaram-se para lugar incerto e não sabido, tendo retornado já em
horário noturno sem a condução da vítima”, relatou ele.
Para o
Ministério Público, “há fundadas razões de serem os demandados autores do crime
em tela, seja pelos fatos trazidos aos autos pela autoridade policial, ou
devido à existência das imagens já mencionadas. Outrossim, cumpre salientar,
que já em sede de diligências, às margens da Usina Seresta, a Polícia Civil,
ora representante, localizou fragmentos de vidros de carro, possivelmente da
viatura, bem como manchas vermelhas aparentando ser sangue humano. Além disso,
informou o chefe da Guarda Municipal do distrito de Luziápolis que o veículo
utilizado no caso se encontrava com o vidro da porta traseira do lado do
motorista quebrado, o que evidencia a possibilidade de luta corporal, e
inclusive, o referido automóvel, aparentava ter sido lavado recentemente, tudo,
acreditamos, com o intuito de encobrir qualquer prova contra os representados.
Por fim, evidenciamos que apesar dos esforços empreendidos, os acusados
simplesmente não foram localizados, ou seja, fugiram da cidade”, detalhou
Andresson Charles em sua manifestação expedida ao Juízo daquele município.
A
fundamentação para a prisão
De acordo
com a Promotoria de Justiça, a decretação da prisão dos dois guardas municipais
está fundamentada porque as investigações mostram que há fortes indícios de que
ambos têm participação no crime de homicídio doloso contra José Cassimiro da
Silva. “Além disso, resta demonstrado que possíveis testemunhas estão com
receio de prestar informações por temerem qualquer tipo de represália. O que
evidência, a saciedade, o comprometimento das investigações”, apontou o membro
do MPAL.
E,
finalizando sua manifestação, Andresson Charles alegou que, “pela forma que
anotou a autoridade policial a prática delituosa, restando evidente a extrema
gravidade dos fatos, exteriorizada a acentuada periculosidade da dupla representada,
manifesta-se o órgão do Ministério Público pelo deferimento da representação
para que seja decretada a prisão temporária dos indiciados Carlos Eduardo
Avelino da Silva e Marcelo Misael dos Santos”, concluiu.
Exame
pericial encontra sangue em viatura
O Instituto de Criminalística de Alagoas informou o resultado
do novo exame realizado na viatura da guarda municipal de Campo Alegre. A
análise deu positiva para manchas de sangue no interior do veículo que teria
sido usado no desaparecimento do pedreiro José Renildo.
A perita criminal Neuma de Oliveira que está à frente do caso
explicou que após ser acionada pela Polícia Civil para periciar alguns locais
do suposto desaparecimento e a própria viatura, achou necessário trazer o veículo
para a sede do IC para um novo exame. Já que de acordo com as investigações, o
veículo havia passado por uma higienização antes de ser recolhido para a
delegacia.
Durante o exame foram encontradas manchas de sangue nos
estofados do banco do passageiro e da porta esquerda traseira que se encontra
com o vidro quebrado. Com a confirmação positiva para sangue, o material foi
recolhido e será encaminhado para o Laboratório de Genética Forense para
posteriores exames de identificação humana.
No primeiro exame em local de suposto crime, a perita Neuma
de Oliveira já havia encontrado e recolhido em uma estrada vicinal material
biológico que pode ser sangue e estilhaços de vidros compatíveis com o da porta
traseira da viatura da guarda. Também foram encontradas marcas de pneumáticos
compatíveis com o pneu do veículo usado pelos guardas no dia do fato.
Fonte: Cada Minuto

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