O resultado da eleição presidencial no segundo turno e
seus possíveis impactos para os servidores públicos foi o tema de uma plenária
realizada na última segunda-feira (19), reunindo o Sindicato dos Servidores
Públicos Municipais de Maceió e Região Metropolitana de Alagoas (Sindspref), a
Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT-AL) e mais cinco sindicatos.
O evento, sediado no auditório do
Sindicato dos Urbanitários, traçou um panorama do que está em jogo para as
carreiras e para o futuro dos serviços públicos no país. Durante o encontro, a
análise concentrou-se nos planos de governo enviados ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) pelos candidatos, detalhando como cada projeto impacta
diretamente o trabalhador.
O presidente do Sindspref alertou
a base sobre os riscos de retrocessos. “Precisamos manter a nossa categoria
informada e mobilizada. A ameaça da reforma administrativa paira sobre nós, e
entender as propostas em disputa é o primeiro passo para defendermos nossas
carreiras e a qualidade do serviço que prestamos à população”, destacou.
CENÁRIO
1: FLÁVIO BOLSONARO
O
plano de governo cria uma desregulamentação da economia e prioriza o mercado
sobre as regras corporativas e estatais.
Concurso
e Servidor Público: A prioridade declarada é a aprovação
da reforma administrativa para reestruturar as carreiras públicas federais e
conter despesas correntes.
Omissão
sobre concursos públicos: O
projeto não menciona a realização de certames, via obrigatória para a admissão
de empregados públicos. Essa ausência aponta para a não recomposição de quadros
de pessoal e o consequente sucateamento das carreiras.
Reforma
Administrativa: O documento prevê a continuidade da
reforma administrativa e uma ampla revisão normativa na gestão pública e nas
áreas previdenciária e trabalhista.
Ameaça
aos vínculos celetistas: Há um
forte alerta para a erosão do regime celetista nas instituições públicas,
agravado por propostas de contratos diferenciados e com menor custo na folha de
pagamento.
Acordos
diretos com o patrão: Com a regra do “negociado sobre o
legislado”, você e seu empregador teriam liberdade para combinar diretamente os
horários, jornadas flexíveis e condições de trabalho, sem precisar seguir uma
regra única imposta pela lei ou pelos sindicatos.
Sindicatos
mais fracos: A participação e a interferência dos
sindicatos nas negociações e nas relações de trabalho (inclusive para
motoristas e entregadores de aplicativos) seriam reduzidas.
Ataque
à negociação coletiva e aos sindicatos: Sob o
pretexto de combater uma “República Sindical”, o projeto ataca as entidades
representativas. Nas empresas estatais federais (controladas por órgãos como a
SEST/MGI), o enfraquecimento do sindicato abre caminho para que a direção
imponha a supressão de direitos históricos garantidos em Acordos Coletivos de
Trabalho (ACT).
CENÁRIO
2: LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
O
plano de governo propõe um modelo onde o Estado atue de forma mais protetiva e
intervencionista, fortalecendo direitos trabalhistas tradicionais,
redistribuição de renda e reforço dos mecanismos de proteção coletiva.
Mais
concursos e diversidade: O
Estado voltará a realizar concursos públicos para recompor e expandir o quadro
de servidores, com a aplicação e aprofundamento de cotas sociais e raciais,
inclusive para os cargos de chefia e liderança do governo.
Trabalhador
e Direito Trabalhista: Projeta
o endurecimento da legislação contra a terceirização fraudulenta e a
“pejotização”.
Menos
dias de trabalho e jornada menor: O
governo atuará no Congresso para acabar com a escala 6×1 (seis dias de trabalho
para um de descanso) e reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais,
garantindo que o seu salário não seja reduzido por causa disso. Lei já
promulgada.
Sindicatos
mais presentes: A assistência do sindicato voltará a
ser obrigatória na hora de assinar a sua rescisão de contrato (quando você é
demitido ou sai da empresa), e as negociações coletivas ganharão mais força nas
decisões trabalhistas.
Canal
direto para aumento e carreiras: Se
você for servidor, terá a “Mesa Nacional de Negociação Permanente” como um
canal aberto e contínuo para negociar salários e reestruturação da sua
carreira. Além disso, o direito à negociação coletiva para o setor público será
regulamentado.
Trabalhadores
de Aplicativo: Se você é motorista ou entregador de
aplicativo, o seu trabalho será regulamentado com definição de direitos,
jornada e transparência nos algoritmos. As empresas de aplicativo (plataformas)
serão obrigadas a pagar uma parte da sua contribuição para o INSS.
Igualdade
para mulheres: Empresas serão obrigadas a cumprir
planos de ação e metas para garantir que mulheres ganhem o mesmo que homens
exercendo a mesma função.
Aposentado
e Previdência: Sustenta os ganhos do aposentado
atrelados à valorização com reajuste real anual do salário-mínimo. No campo
previdenciário, projeta modernizar os canais de requerimento para diminuir o
tempo de análise e restabelecer a comunicação ativa com o trabalhador sobre a
aquisição de requisitos. Propõe flexibilizar os regimes de contribuição para
atender profissionais intermitentes e exigir tributação previdenciária das plataformas
de tecnologia. Expande a rede do SUS para atendimento domiciliar contínuo voltado
à terceira idade (PADI Brasil) e centros de convivência municipais. Fonte: Sindspref