O prefeito de Maceió,
Rodrigo Cunha, publicou no Diário Oficial dessa segunda-feira (13) um decreto
que altera a forma de financiamento da previdência dos servidores públicos
municipais. A principal mudança é a transferência de imóveis do município,
entre eles os edifícios Palmares e Ary Pitombo, para o Fundo Previdenciário
(Fupre), além de ajustes nas regras que separam os grupos de servidores dentro
do sistema.
A medida foi recebida com
preocupação pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal),
que questiona a necessidade de reforçar o patrimônio do fundo poucos meses após
o investimento de R$ 117 milhões do Iprev em letras financeiras do Banco
Master, realizado durante a gestão do ex-prefeito JHC.
Na prática, a medida
funciona como uma estratégia para fortalecer o patrimônio da previdência
municipal. Com o decreto, a Prefeitura passa a repassar ao fundo bens públicos
— como prédios e terrenos — que poderão ser utilizados para gerar recursos,
inclusive por meio de venda ou exploração econômica.
Entre os imóveis
transferidos estão um terreno com mais de 63 mil metros quadrados no bairro de
Bebedouro; o prédio recreativo Sampaio de Melo, localizado na AL-101 Norte, em
Riacho Doce; um terreno à beira-mar no Km 11 da mesma rodovia; além de dois
prédios comerciais no Centro de Maceió — o Edifício Palmares, com 15 andares, e
o Edifício Ary Pitombo.
Esses bens deixam de
pertencer diretamente ao município e passam a integrar o patrimônio do fundo
previdenciário, responsável por pagar aposentadorias e pensões. Em alguns
casos, se a Prefeitura continuar utilizando esses imóveis, terá que pagar uma
espécie de “aluguel” ao próprio fundo.
Os edifícios Palmares, Ary
Pitombo e Iapetec estão sendo transformados no Novo Complexo Administrativo da
Prefeitura de Maceió. O projeto, de acordo com o município, é fruto de uma
Parceria Público-Privada (PPP), centralizará cerca de 15 secretarias e órgãos
municipais no Centro da capital. Com investimento de R$ 197 milhões, a obra
visa revitalizar a região histórica e reurbanizar o entorno da Praça Zumbi dos
Palmares.
A transferência patrimonial
ocorre em um momento em que a gestão dos recursos do Maceió Previdência
(anteriormente denominado Iprev) está sob maior escrutínio. O investimento de
R$ 117 milhões em títulos do Banco Master, autorizado durante a gestão de JHC,
motivou questionamentos de parlamentares, sindicatos e órgãos de controle sobre
a política de investimentos do instituto. Embora o novo decreto trate de uma
medida distinta, a decisão reacendeu o debate sobre a sustentabilidade
financeira do sistema.
Outro ponto importante do
decreto é a mudança na chamada “segregação de massa”, que é a divisão dos
servidores em grupos diferentes dentro do sistema previdenciário. Essa
separação leva em conta critérios como idade e data de entrada no serviço
público e define de onde sairão os recursos para pagar os benefícios.
PREOCUPAÇÃO
Para a vice-presidente do
Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Consuelo Correia,
a transferência de imóveis para o fundo levanta dúvidas sobre a real situação
financeira do sistema, sobretudo porque a administração municipal vinha
sustentando que o Maceió Previdência apresentava superávit. Segundo Consuelo, a
iniciativa pode indicar a necessidade de reforço patrimonial do fundo, o que
gera insegurança entre servidores ativos e aposentados.
“A gente externa
preocupação, porque se fala que o fundo é superavitário, mas agora vem um
decreto aportando imóveis mais uma vez para capitalizar o fundo.”
A dirigente sindical voltou
a cobrar mais transparência por parte da administração municipal, ressaltando
que os recursos do sistema previdenciário são formados pelas contribuições
mensais dos próprios servidores. “É do nosso dinheiro, do nosso salário, que é
descontado todo mês. Então, o governo precisa dar conta para onde está indo
esse dinheiro.” Fonte: Gazetaweb