Não são baixos os índices que mostram a forte
ocorrência de violência contra as mulheres e, consequentemente, do feminicídio
no Brasil. Olhando para a problemática, o Escritório USP Mulheres e o Núcleo de
Estudos da Violência (NEV) da USP firmaram uma parceria de estudo que resultou
no projeto de pesquisa Segurança Pública nos Municípios: O Papel das Guardas
Municipais na Prevenção da Violência Contra a Mulher. Para falar sobre a
pesquisa, o Jornal da USP no Ar conversou com a professora Maria
Arminda Arruda, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
(FFLCH) da USP e coordenadora do Escritório e com o professor Marcos Alvarez,
coordenador do NEV da USP.
Com diversos trabalhos ao longo de 30 anos
relacionados à violência, o NEV agora tem a oportunidade de ampliar ainda mais
os estudos na área junto ao Escritório, após submeter o projeto nos programas
Santander de Políticas Públicas e USP Municípios. “O desenho do edital apontava
para uma questão vinculada aos municípios no Estado de São Paulo [guardas
municipais]. A ideia é fazer um diagnóstico da violência em geral e segurança
pública, e um levantamento de como as guardas municipais abordam a questão [da
violência contra a mulher]”, explica Alvarez, coordenador geral do projeto.
O isolamento social tem levado ao aumento da
violência contra a mulher, aponta Maria Arminda. Por isso, se faz necessário
saber quais as formas de agir das guardas municipais e também pensar como os
agentes podem ser treinados para enfrentar as ações de violência e o
feminicídio. O estudo pretende escolher três municípios (um do litoral,
interior e Grande São Paulo) para aprofundar os diagnósticos e as análises.
De acordo com a professora Maria Arminda, a
desigualdade social no mundo contemporâneo está acentuada e diretamente
relacionada às outras desigualdades, não sendo diferente com a de gênero, “que
está ligada às formas de feminicídio, violência doméstica e manifestações
adjetas da desigualdade”. Ela diz ainda que esse projeto aparece em um momento
fundamental para entender como os agentes de segurança podem estar mais bem
preparados para o efeito colateral da pandemia, que é o agravamento de um
problema social preexistente. “Nós sabemos que a violência contra as mulheres é
muito maior do que aparece nas estatísticas, pois as pessoas não dão parte nem
notificam. Parece que a violência doméstica é entendida como parte do papel da
mulher dentro das famílias”, afirma.
Fonte: JORNAL DA USP

Um comentário:
Quando a USP e o resto da sociedade tratar a Guarda Municipal como polícia da polis. Aí faria sentido.
Postar um comentário