As negociações sobre o reajuste salarial dos
servidores públicos efetivos da Prefeitura e da Câmara Municipal de Maceió
entram, a partir desta semana, em um momento decisivo, marcado por expectativas
elevadas e clima de crescente tensão entre as categorias. Representantes
sindicais do Executivo municipal pleiteiam um reajuste de 10% e aguardam uma
sinalização do novo prefeito, Rodrigo Cunha (PSD), para retomar as tratativas
iniciadas ainda na gestão anterior.
O movimento conta
com o apoio de vereadores ligados às comissões de servidores públicos e de
orçamento, que atuam como intermediadores no diálogo institucional, conforme
destaca o vereador Allan Pierre (MDB).
No âmbito do
Legislativo, entretanto, o cenário é de maior desgaste. As negociações não
avançaram nas últimas semanas, intensificando a insatisfação dos servidores,
que reivindicam um reajuste de 15%. A contraproposta apresentada pelo
presidente da Casa, vereador Chico Filho (PSDB), prevê reposição inflacionária
acrescida de 1%, totalizando cerca de 6% – índice inferior ao reajuste de 8%
concedido no ano passado. A diferença tem sido o principal ponto de atrito nas
discussões.
As tratativas tiveram início em
janeiro, com a intermediação da vice-presidente da Mesa Diretora, Silvânia
Barbosa (Solidariedade). Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da
Câmara, Antônio Pessoa Ferreira Neto, o clima entre os trabalhadores é de
insatisfação, embora não haja indicativos de radicalização.
Em assembleia
conjunta com servidores ativos e inativos, a categoria rejeitou, por
unanimidade, a proposta apresentada pela Mesa Diretora, reforçando a disposição
de manter a mobilização.
De acordo com o
líder sindical, a contraproposta não apenas fica abaixo das expectativas, como
também representa um recuo em relação ao ganho real obtido no ano anterior. Ele
destaca que o reajuste de 2025 superou, inclusive, o índice aplicado ao
funcionalismo do Executivo, ampliando a sensação de perda entre os servidores
do Legislativo.
Uma nova rodada de
negociação está prevista para quarta-feira (22), enquanto a categoria permanece
em assembleia permanente, aberta ao diálogo, e cobra uma revisão dos
percentuais.
No Executivo municipal, os sindicatos
buscam reabrir o canal de negociação com a nova gestão. Em março,
representantes de seis entidades protocolaram, na Secretaria Municipal de
Gestão de Pessoas e Patrimônio, a pauta aprovada em assembleia, que inclui o
reajuste de 10% e demandas relacionadas à valorização profissional.
Os dirigentes
sindicais defendem que há margem fiscal para atender às reivindicações,
apontando que os gastos com pessoal estão em torno de 40% da receita, abaixo do
limite de 54% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
O contexto
orçamentário reforça o debate. Em janeiro, a Câmara aprovou o orçamento
municipal de R$ 5,6 bilhões para 2026, além de uma emenda que elevou o
duodécimo do Legislativo para R$ 140 milhões, o que significa um acréscimo de
R$ 15 milhões em relação ao ano anterior. Para os sindicatos, os números
indicam viabilidade financeira tanto na Prefeitura quanto na Câmara.
Ainda assim, a
falta de consenso mantém o impasse, enquanto as partes sinalizam disposição
para continuar negociando, em busca de um equilíbrio entre as demandas dos
servidores e os limites fiscais das instituições. Fonte: Jornal Gazeta de
Alagoas

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