O ministro dos Transportes, George Santoro, trouxe nesta sexta-feira (11/09) um novo número para o debate sobre a previdência dos servidores de Maceió. Segundo ele, o Iprev apresenta déficit financeiro estimado de R$ 313,9 milhões em 2026.
Santoro,
que foi secretário da Fazenda de Alagoas antes de assumir o Ministério dos
Transportes, afirmou ter consultado o Demonstrativo de Resultados da Avaliação
Atuarial, o DRAA 2026, documento enviado ao Ministério da Previdência Social. O
relatório tem como base os dados de dezembro de 2025 e foi elaborado em junho
deste ano.
O
próprio parecer atuarial anexado ao documento registra que o plano de
benefícios de Maceió apresenta situação deficitária “tanto sob a ótica atuarial
quanto financeira”. O relatório informa ainda que existe plano de amortização
do déficit implementado por lei desde janeiro de 2025.
A
manifestação de Santoro veio depois do debate da TV Gazeta. JHC afirmou que o
patrimônio do Iprev havia passado de cerca de R$ 380 milhões para R$ 1,6 bilhão
durante sua gestão. Para o ministro, a comparação mistura patrimônio com
dinheiro disponível para fazer frente às obrigações previdenciárias.
“Patrimônio
não é recurso financeiro, ele não se monetiza assim”, disse Santoro.
A
observação tem um dado importante por trás. Em julho, já depois da crise
provocada pelas aplicações do Iprev no Banco Master, a Prefeitura de Maceió
transferiu imóveis públicos para o Fundo Previdenciário. Prédios e terrenos
passaram a integrar os ativos do fundo, aumentando seu patrimônio contábil.
Entre os bens transferidos estão edifícios e
áreas pertencentes ao município. A operação foi feita com base em legislação
aprovada anteriormente e ocorre depois de o Iprev ter aplicado R$ 117 milhões
em letras financeiras do Banco Master, investimento que passou a ser
investigado e virou um dos principais problemas políticos da gestão municipal
em 2026.
É
justamente aí que Santoro bate. O patrimônio pode crescer com a incorporação de um prédio
ou de um terreno, mas isso não significa que o fundo passou a ter o mesmo valor
em dinheiro disponível. Um imóvel avaliado em R$ 100 milhões acrescenta R$ 100
milhões ao patrimônio. Não coloca, porém, R$ 100 milhões na conta bancária do
instituto.
Santoro
usou a Alagoas Previdência para mostrar a diferença. Segundo os números
apresentados por ele, o regime estadual tem superávit atuarial de R$ 513,8
milhões, além de patrimônio superior a R$ 1,3 bilhão. No caso de Maceió, o
número destacado foi o oposto: déficit financeiro estimado de R$ 313,9 milhões.
Há
também uma diferença importante no histórico recente dos investimentos. A
carteira do Fundo Previdenciário de Alagoas rendeu R$ 125,09 milhões em 2025,
resultado 33,2% superior à meta atuarial prevista para o período. Foram R$
31,18 milhões acima do rendimento necessário para cumprir a meta.
A
Alagoas Previdência também conquistou, em 2026, o primeiro lugar nacional na
categoria Estados do Prêmio Nacional de Investimentos da Aneprem. Em 2025, já
havia ficado em primeiro lugar entre os Estados em Responsabilidade
Previdenciária e Investimentos e em terceiro lugar em Governança Previdenciária
no prêmio da Abipem.
O Ministério da Previdência registra ainda
que a autarquia estadual alcançou o nível 4 do Pró-Gestão, o mais alto do
programa federal de certificação dos regimes próprios. Foi o primeiro RPPS do
Nordeste a obter a certificação e avançou posteriormente até o nível máximo.
No
Iprev, além do déficit apontado por Santoro, o DRAA mostra a dimensão do
compromisso previdenciário. O instituto administra benefícios de milhares de
servidores: apenas entre os aposentados por tempo de contribuição são 2.280
pessoas, além de aposentados por idade, invalidez, aposentadorias especiais e
pensionistas.
Santoro
resumiu a comparação em uma cobrança direta ao ex-prefeito. “Veja a diferença de
gestão e governança só no caso do Iprev. Enquanto a Alagoas Previdência tem
prêmios de melhor gestão de recursos, de aplicação de dinheiro, seguidamente
reconhecida nacionalmente, a Previdência de Maceió aplicou dinheiro no Master,
perdeu mais de R$ 100 milhões.”
O
Iprev sustenta que os recursos aplicados no Banco Master constituem créditos a
serem recuperados no processo de liquidação e que o patrimônio previdenciário
está preservado. A discussão, no entanto, ganhou um número novo.
De
um lado, Santoro aponta R$ 313,9 milhões de déficit financeiro no Iprev. Do outro, apresenta R$
513,8 milhões de superávit atuarial na Alagoas Previdência. Uma diferença de R$ 827,7
milhões entre os dois resultados — e um assunto que deve continuar no centro da
campanha.
Campanha
Além dos números da Previdência, George
Santoro fez uma avaliação dura do debate da TV Gazeta. Para o ministro, Renan
Filho mostrou domínio dos temas, enquanto JHC revelou desconhecimento sobre
áreas centrais do Estado.
“Fica claro que é a campanha da verdade contra
a campanha da mentira. De um lado temos um gestor preparado, competente e com
absoluto conhecimento da realidade alagoana. Do outro, uma pessoa despreparada,
que transmite insegurança e profundo desconhecimento da realidade do povo
alagoano”, afirmou.
Santoro
disse ainda que JHC não apresentou dados consistentes sobre segurança e saúde e
chegou a questionar a participação do candidato na elaboração do próprio plano
de governo. “Confundiu as perguntas, demonstrou absoluta incerteza do próprio
plano que ele tem. Será que ele fez o plano? Participou ou terceirizou esse
plano?”
Na comparação com Renan Filho, o ministro foi na direção
oposta. “Renan Filho apresentou programas, dados, informações absolutamente
consistentes com o que o povo alagoano precisa”, disse. Blog do Edivaldo
Júnior - Gazetaweb

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