Juiz estipulou valor de
R$ 20 mil, afirma que pistola era “imprestável” e que oficial só não morreu “por
intervenção de Deus e seu treinamento”, em Goiânia. Empresa alegou nos autos
que falha deve ter ocorrido por falta de manutenção.
A Justiça condenou a empresa Taurus a indenizar uma
policial militar em R$ 20 mil por arma – fabricada pela companhia – ter falhado
durante a tentativa de reação a um assalto, em Goiânia. Ao definir sobre o
processo por danos morais, o juiz Eduardo Perez Oliveira disse que a oficial só
não morreu “por intervenção de Deus e seu treinamento”.
A Taurus informou, em nota, que “entende que houve grave equívoco
no julgamento do caso. O caso foi julgado sem a realização de uma perícia
técnica, motivo pelo qual não é possível dizer que houve falha ou defeito no
armamento. Por isso, a Taurus irá recorrer à Instância e confia na reforma da sentença”.
De acordo com os autos, no dia 27 de fevereiro de 2017,
por volta das 22h, a militar seguia a pé para a casa de sua mãe, quando foi
abordada por assaltante em uma moto.
Ainda conforme o documento, ela sacou a arma, modelo 24/7.40,
e tentou atirar. Mesmo carregada e com munições intactas, não conseguiu
realizar nenhum disparo. A policial, inclusive, sofreu lesões no polegar esquerdo
decorrente das repetidas tentativas.
A arma pertencia à corporação e estava sob a cautela da
policial. O magistrado pontuou que provas apontadas pela vítima constatam que “de
fato [a arma] possuía vício de fabricação” e pontuou que a mesma era “imprestável”.
A empresa, por sua vez, dentro do processo, alegou que a
falha na arma deve ter ocorrido por falta de manutenção. Assim, não seria de
responsabilidade da Taurus o problema no equipamento.
Em seu despacho, o juiz alertou que alguns itens, como
armas, não são passíveis de erros pois qualquer falha pode provocar a morte de
alguém.
“Arma de fogo, remédio, freio de carro e preservativo são
itens que não admitem uma “margem segura” de erro, pois sua falha pode
significar risco à integridade física e até mesmo à vida dos consumidores. Com
vida e saúde não se pode agir de forma leviana”, diz, na sentença.
Além disso, destacou
que são recorrentes as notícias sobre falhas em armas da marca Taurus. Citou,
inclusive, o fato de que a justiça mandou recolher, em 2017, 2,5 mil armas da PM de Goiás por conta de constantes defeitos.
Fonte: G1 Goiás

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