9 de fevereiro de 2021

DÉFICIT MENSAL DE R$ 25 MILHÕES COMPROMETE FUNCIONAMENTO DA PREFEITURA

EXPEDIENTE EM SECRETARIAS E DEMAIS ÓRGÃOS PODE FICAR AMEAÇADO A LONGO PRAZO; FOLHA DE PESSOAL TAMBÉM PREOCUPA

A situação financeira do Município de Maceió não para de surpreender, negativamente, o secretário de Economia João Felipe. Em um mês de levantamentos dos números, ele confirmou que a despesa por mês da cidade é de R$ 145 milhões, porém, conta com uma receita de, aproximadamente, R$ 120 milhões, o que gera um déficit mensal de R$ 25 milhões em média.

A revelação exclusiva feita à Gazeta aponta, dentre outras coisas, que, se nada for feito em breve, o prefeito JHC (PSB) terá problemas, até mesmo, para pagar a folha de pessoal.

“Isto porque, com a atual realidade, por ano, chegaríamos a uma dívida anual de R$ 300 milhões, o que, em quatro anos, representaria R$ 1,2 bilhão. Isso é algo muito ruim. Vale lembrar que aqui estamos tratando da nossa arrecadação própria, ou seja, do Tesouro municipal, deixando, de lado, todas as transferências constitucionais", revelou João Felipe.

Com o apoio dos técnicos da secretaria, aos quais classificou como muito qualificados, ele explica que foi possível depurar detalhes sobre os atuais desafios encontrados pelo prefeito JHC. Graças a isso, conseguiu lhe passar um diagnóstico preciso de como estão os cofres municipais.

“Todos esses números são aproximados após um mês de trabalho. Dentre as nossas maiores despesas, temos a folha de pagamento, que consome, aproximadamente, 50% do que é arrecado, o que corresponde a R$ 70 milhões, e o serviço de lixo que representa outros aproximados R$ 15 milhões", complementou o secretário.

Se nada for feito para conter essa sangria de recursos, o efeito negativo das contas que estão no vermelho vai se alastrando, vindo, inclusive, a mexer num campo delicado: o salário dos servidores. É tudo que precisa ser evitado, garante o titular da pasta, que “queima as pestanas” em noites seguidas para apontar caminhos a serem seguidos.

“Os números não mentem. Se nada for feito, é claro que pode comprometer o futuro e impactar na folha de pagamento. Para se ter uma ideia, temos, hoje, um contrato do aterro sanitário (que trata os resíduos sólidos) que está há cinco meses em atraso", confirma.

Muito além de apontar o problema, o diagnóstico, ele - juntamente com o próprio JHC e outros secretários - constrói alternativas que viabilizem, de forma a não comprometer o futuro da gestão. Elas devem ser anunciadas pelo próprio prefeito em breve.

Entretanto, o caminho para isso, conforme aponta o gestor da Economia, é tornar a gestão mais eficiente. O termo clichê para alguns “mais com menos” deve se tornar uma realidade objetiva.

“Vamos ter que olhar para os contratos e ver onde poderemos mexer, porque o que está acontecendo é que o Município gasta e não paga”, adianta Felipe. E a realidade é que, com todo o esforço feito até aqui, a projeção é para arrecadar R$ 1,5 bilhão por ano. Sendo assim, não há outra fórmula que não passe pela racionalização dos gastos e, literalmente, "colocar as nossas despesas dentro da receita", definiu.

Se, por um lado, o chamado “dever de casa” será feito, ele não esconde que, possivelmente, a cidade venha a contrair mais um empréstimo. Isto porque não possui certidões negativas e tem capacidade de endividamento. Por outro lado, adverte que uma medida assim precisa ser ponderada.

“Poderemos precisar de empréstimo externo para fazer investimento. E, se ele é feito de forma planejada em infraestrutura, por exemplo, consequentemente, teremos mais arrecadação. Ou seja, se crescermos, teremos retorno. Logo, se for a longo prazo, com juros baixos, conseguiremos pagá-los sem ficarmos comprometidos", detalhou João. Ele acrescenta que as ações precisam ser logo encaminhadas, porque os serviços prestados geram despesas.

“Estamos no cheque especial todo mês. A cidade não está assim nos bancos, mas, com os fornecedores que se trabalham, querem receber", concluiu. Mas tanto essa quanto qualquer outra medida de ajuste da máquina e das contas estão sendo ponderadas ponto a ponto, com o próprio JHC. Somente ele poderá “bater o martelo”.

O seu pronunciamento sobre o tema é aguardado pela população, servidores e, também, investidores da cidade. Até lá, a saída encontrada para a cidade não para, e as ações prometidas têm sido feitas em forma de mutirões. Eles têm ocorrido em áreas estratégicas, como limpeza, iluminação e, também, infraestrutura. Fonte: Gazeta de Alagoas – Marcos Rodrigues 08/02/2021

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