Brasília: Relator busca acordo para votar aposentadorias das atividades de risco
Guardas Municipais do
país estão inseridos na proposta
O relator da proposta de regulamentação das aposentadorias das atividades de risco (PLC 330/06), deputado Policarpo, do PT do Distrito Federal, vai fazer uma nova rodada de negociações com governo federal e estados em busca de um acordo que permita a votação da proposta.
O projeto de lei
complementar (PLC 554/10) enviado pelo governo federal para substituir a lei em
vigor tem sido contestado pelas entidades de diversas categorias que
participaram de audiência pública na Comissão de Trabalho e Administração
Pública.
A lei atual
(LC51/85) prevê que policiais têm direito a se aposentar com cinco anos a menos
de trabalho do que as outras profissões, 30 anos. Quem se aposenta tem direito
a continuar recebendo a mesma coisa que recebia na ativa e a ter os mesmos
reajustes de quem continua trabalhando. A proposta do governo inclui os agentes
penitenciários, diferencia os períodos de trabalho para homens e mulheres e
coloca a exigência de idade mínima. Quem entrou depois de 2003 perde a
integralidade e a paridade e entra no Funpresp.
Para o
presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal, Ciro José de
Freitas, a categoria não aceita a revogação da lei atual.
"Nós não
vamos aceitar suprimir direitos, não vamos aceitar mudar a legislação se não
for para beneficiar porque a polícia é alvo de muita fiscalização e nós
precisamos de garantias do Estado e uma dessas garantias é essa aposentadoria
de risco."
Outro problema
que terá de ser enfrentado é que diversas categorias, entre elas, oficiais de
justiça, auditores fiscais e do trabalho e agentes de segurança legislativos
judiciários querem ser inseridos na proposta porque trabalham sozinhos,
desarmados e em muitas situações de perigo.
Mas para o
governo federal, só têm direito a essa aposentadoria profissionais que passam
risco permanente. De acordo com o secretário de Políticas de Previdência Social
do Ministério da Previdência Social, Leonardo Rolim Guimarães, qualquer
servidor público que trabalhe com público está exposto a risco eventual. Mas
ele reconhece que um dos problemas centrais é o do custo que essas
aposentadorias poderiam ter nos sistemas de previdência.
"Esse é um
tema que não é adequado: o governo federal negociar sozinho com as carreiras ou
com o Congresso porque o impacto desse projeto é muito maior para os estados do
que para a União."
O relator,
deputado Policarpo, já adiantou que não vai revogar a lei que garante a
aposentadoria integral dos policiais e que incluiu em seu parecer as diversas
categorias que já pleiteiam esse direito no Supremo Tribunal Federal, mas ele
reconhece que dificilmente haverá acordo com o governo federal e avisou as
lideranças dos trabalhadores.
"É
necessário que essa mobilização de hoje permaneça pelo próximo período até a
aprovação final do projeto, não apenas na Comissão do Trabalho. Todos vocês têm
que estar aqui e acompanhar os próximos passos pra gente poder avançar."
Algumas
entidades já anunciaram que, caso o governo federal pressione e consiga aprovar
a proposta só com policiais e agentes penitenciários, vão se mobilizar para
fazer uma greve de todas as categorias afetadas.
Fonte: Câmara
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