15 de agosto de 2026

Prefeitura de Maceió paga até R$ 16,5 milhões por mês para cobrir déficit do Iprev


Os números constam dos Demonstrativos de Informações Previdenciárias e Repasses, os DIPRs, encaminhados pelo Município ao Ministério da Previdência

A Prefeitura de Maceió precisou transferir até R$ 16,5 milhões por mês, nos primeiros quatro meses de 2026, para cobrir a insuficiência financeira do regime previdenciário municipal.

Os números constam dos Demonstrativos de Informações Previdenciárias e Repasses, os DIPRs, encaminhados pelo Município ao Ministério da Previdência. Os documentos mostram que as transferências para cobertura da insuficiência financeira somaram cerca de R$ 58,6 milhões entre janeiro e abril.

Os valores foram:

  • Janeiro: R$ 10,51 milhões
  • Fevereiro: R$ 16,56 milhões
  • Março: R$ 14,99 milhões
  • Abril: R$ 16,51 milhões

Nos três últimos meses disponíveis, portanto, a Prefeitura precisou colocar entre R$ 15 milhões e R$ 16,5 milhões mensais para cobrir a diferença financeira do plano. O dado ganha relevância num momento em que a gestão dos recursos do Iprev está sob investigação.

A Polícia Federal apura a aplicação de R$ 97 milhões do instituto em Letras Financeiras subordinadas do Banco Master. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a política de investimentos previa exposição de 0% a ativos bancários em 2023 e limite de 5% em 2024, mas os aportes chegaram a aproximadamente 20% do patrimônio do regime próprio em um único emissor.

A própria decisão ressalta que essa diferença, isoladamente, não comprova fraude. Mas registra que ela exige explicação técnica documentada, considerada até agora inexistente ou insuficiente nos elementos reunidos pela investigação.

Déficit e investimentos são questões diferentes. Os documentos enviados ao Ministério da Previdência não permitem relacionar o déficit mensal do regime às aplicações feitas no Banco Master. São duas questões distintas.

De um lado, o Plano Financeiro precisa de aportes do Tesouro municipal para cobrir sua insuficiência. De outro, a PF investiga como parte dos recursos previdenciários disponíveis para investimento foi aplicada e quais critérios técnicos sustentaram as operações com o Banco Master. Mas os números ajudam a dimensionar o tamanho da responsabilidade da gestão previdenciária.

Em janeiro e fevereiro, o Iprev registrava mais de 5,5 mil aposentados e cerca de 1,5 mil pensionistas. Em março e abril, o número de aposentados continuou acima de 5,6 mil, enquanto os pensionistas ficaram próximos de 1,5 mil.

Ao mesmo tempo, o regime continua movimentando valores elevados em aplicações financeiras. Somente entre janeiro e abril, foram declarados cerca de R$ 61,1 milhões em receitas líquidas de aplicações e investimentos.

Os DIPRs não informam quais investimentos produziram esses rendimentos nem permitem identificar quanto veio ou deixou de vir de ativos relacionados ao Banco Master.

O que os documentos mostram, objetivamente, é outra coisa: além de administrar uma carteira previdenciária que hoje está sendo examinada pela Polícia Federal, o Iprev depende de transferências milionárias do Tesouro para fechar mensalmente as contas do Plano Financeiro.

Em quatro meses, foram R$ 58,6 milhões. Só em abril, R$ 16,5 milhões. Fonte: Jornal de Alagoas


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